terça-feira, 23 de junho de 2015

Consórcio é opção para consumidor frente a alta dos juros nos financiamentos

 

Com os juros em ritmo de alta, o consórcio se consolida como uma opção para as pessoas adquirirem bens como imóveis, automóveis e serviços.   No Sicoob, por exemplo, a taxa de administração do Sicoob Consórcios inicia-se em 10% ao período para aquisição de automóveis e imóveis.
De acordo com o gerente Comercial de Produtos e Serviços, Ricardo de Amorim Hermes, o produto é uma opção rentável e segura. O consorciado, ao optar pela compra de cotas de consórcios, pode usufruir das melhores condições financeiras do mercado, uma vez que o preço final do produto fica bem abaixo quando comparado aos financiamentos tradicionais, diz.



Hermes explica que outro fator competitivo do Sicoob Consórcios é o número médio de contemplações. Temos mais de 12 consorciados contemplados mensalmente por grupo. No mercado, esse índice é de uma ou duas pessoas por grupo, destaca.
A comercialização do Sicoob Consórcios alcançou R$ 91 milhões no primeiro trimestre deste ano, o que representa um crescimento de 57% em relação ao mesmo período do ano anterior, índice superior ao apresentado pelo mercado que expandiu em média 5% no mesmo período. O volume de cotas vendidas evoluiu em 54% em relação ao resultado apresentado no primeiro trimestre de 2014. Além disso, enquanto o mercado cresceu 8,2% em número de participantes ativos, a evolução no Sicoob foi de 52%.
A expectativa é de que o produto continue em forte expansão em 2015. Mesmo com as projeções conservadoras de nossa economia, o mercado nas instituições financeiras cooperativas deve apresentar evolução este ano. Com a alta da taxa básica de juros, os financiamentos ficam mais caros, enquanto o consórcio ganha atratividade para aqueles que desejam uma compra consciente e planejada, completa.

Sobre o Sicoob
O Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) possui mais de 3 milhões de cooperados em todo o país e está presente em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal. É composto por cooperativas singulares, cooperativas centrais e a Confederação Nacional das Cooperativas do Sicoob (Sicoob Confederação). Integram, ainda, o Sistema, o Banco Cooperativo do Brasil do Brasil (Bancoob) e suas subsidiárias (empresas de: cartões, consórcios, DTVM, seguradora, previdência) provedoras de produtos e serviços especializados para cooperativas financeiras. A rede Sicoob é a sexta maior entre as instituições financeiras que atuam no país, com mais de 2,3 mil pontos de atendimento. As cooperativas inseridas no Sistema oferecem aos associados serviços de conta corrente, crédito, investimento, cartões, previdência, consórcio, seguros, cobrança bancária, adquirência de meios eletrônicos de pagamento, dentre outras soluções financeiras. Ou seja, o Sistema dispõe de um amplo e moderno portfólio de produtos e serviços de natureza bancária.

Postos de reciclagem do Rio recebem lixo hospitalar e produto químico

 


Catadora já precisou tomar coquetel para evitar infecção por HIV.
Município do Rio não deve atingir a meta de reciclagem definida em plano. 
Fonte: G1
 
 
 
 A falta de políticas públicas para cumprir a Lei Nacional de Resíduos Sólidos – que procura organizar a forma como o país trata o lixo, ao incentivar reciclagem e sustentabilidade –, tem afetado diretamente a vida dos catadores que deixaram as rampas dos lixões desativados no Rio de Janeiro e ainda tentam sobreviver da coleta seletiva. Além da falta de material para trabalhar com reciclagem, catadores de centrais apoiadas pela prefeitura do Rio, em convênio com o BNDES, correm riscos com o despejo de lixo hospitalar e produto químico nos pátios das centrais.

Segundo Evelyn Marcele de Brito, gestora da Coop Futuro, que atua na Central de Triagem de Irajá, há cerca de quatro meses ela precisou tomar o coquetel do dia seguinte para evitar a infecção pelo HIV após se espetar com uma seringa que estava misturada entre o material reciclado.

“É a realidade da cooperativa que eu passo hoje, com a minha mão espetada de seringa e a dos demais catadores que estão lá”, afirma Evelyn, garantindo que diariamente chegam diversos sacos com lixo hospitalar.

De acordo com a Comlurb, o resíduo químico foi uma ocorrência pontual que exigiu providências técnicas e ambientais imediatas e urgentes.

“Os resíduos estão em processo de análise e, paralelamente, foram adotadas medidas emergenciais no sentido de preservar a saúde dos catadores e garantir com segurança a continuidade dos trabalhos nessa área”, diz nota enviada ao G1.

De acordo com a lei, o lixo hospitalar deve ser devidamente condicionado em embalagens específicas e depositado em aterro sanitário através de sistema de coleta especial ou, dependendo da qualificação, até mesmo incinerados.

Contaminação coletiva

No meio de maio, catadores que trabalham na Central de Triagem de Bangu ficaram uma semana sem trabalhar por conta de um produto químico, ainda não identificado, que foi descarregado na central juntamente com o lixo destinado à reciclagem.

“Os trinta e seis catadores que estavam aqui começaram a passar muito mal. O material chegou no pátio dia 18 e só foi retirado dia 23. Todos tiveram contato com aquilo. Não sabemos se fomos contaminados com alguma coisa e com qual produto tivermos contato”, afirmou Eva Barbosa Alves de Souza, de 39 anos, que trabalhou durante 13 anos no Lixão de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Em nota, a Comlurb novamente alegou se tratar de um fato isolado e disse que a companhia treina suas equipes para orientar a população que aderiu à coleta seletiva a qual tipo de material deve ser destinado à reciclagem.

“A Comlurb tinha que fazer um exame nos cooperados. Eu não sei qual tipo de doença posso ter levado para dentro da minha casa, para meus filhos e minha família”, disse Custódio Silva, de 55 anos, 17 deles trabalhando como catador em Gericinó.

De acordo com os trabalhadores, os principais sintomas após o contato foram náuseas, dor de cabeça, perda de voz, falta de ar e dormência na boca. Os catadores voltaram a trabalhar na Central de Triagem no dia 25 de maio.

Rio não deve atingir meta de 25% do lixo para a reciclagem

Após a publicação da Lei 12.305/10, que determinou o fechamento dos lixões e instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, as prefeituras foram obrigadas a definir metas de redução dos resíduos enterrados.

Inicialmente, o município do Rio definiu como meta aumentar a coleta seletiva para 25% até 2016. No entanto, atualmente a prefeitura encaminha para a reciclagem apenas 5% do lixo com potencial reciclável. Segundo a Comlurb, com a coleta seletiva praticada por empresas, pelo comércio e por grandes condomínios, estima-se que esse percentual chegue a 15% até o ano que vem e não atingirá a meta. De acordo com a Secretaria Estadual do Ambiente, somente 1,75% do lixo produzido nos 92 munícipios do Estado é encaminhado para a reciclagem.

Segundo o ambientalista Sérgio Ricardo, um dos convidados da Alerj para acompanhar as reuniões e visitas técnicas das CPI do Lixo, a coleta seletiva no Rio de Janeiro é quase inexistente.

“Só existe uma forma de favorecer a reciclagem, que é cobrar da prefeitura metas para reduzir o que é enterrado. O material com maior potencial para a reciclagem está sendo enterrado. Foi isso de 1976 a 2012 em Gramacho e está sendo agora em Seropédica”, afirmou o ambientalista, destacando que apesar da lei, 37 aterros continuam a operar no estado.

“Quase todo o lixo é enterrado no Rio. A quem interessa isso? As empresas que têm essas concessões. E se a gente observar, a CPI vai emitir no final um parecer sobre isso, essa administração está nas mãos de pouquíssimos. Essa é uma situação que está beneficiando poucas empresas, por períodos muito longos, concessões de 25 anos ou até mais. Isso precisa ser investigado com critério”, afirmou o deputado Gláucio Julianelli, que integra a CPI do Lixo da Alerj.

Ainda de acordo com o deputado, quanto mais recurso é empregado no enterramento do lixo, menos investimentos são feitos em outras áreas importantes. Apenas com o enterramento do lixo do município do Rio são gastos cerca de R$ 550 mil por dia.

Falta de equipamento e espaço inadequado para a coleta seletiva

Apesar do acordo firmado entre a Prefeitura do Rio e o BNDES em março de 2011, que prevê investimentos de R$ 50 milhões, apenas R$ 5.237.597,75 foram liberados até o momento. De seis centrais de reciclagem previstas para serem criadas com a verba, quatro anos após a assinatura do contrato, apenas a Central de Triagem de Irajá está em funcionamento. Inicialmente, a previsão era que todas as centrais estivessem em funcionamento até junho de 2016.

Os cooperados da central de Irajá dizem que, apesar do investimento, nem todas as máquinas estão operando e um caminhão que seria destinado à coleta seletiva nunca foi entregue aos catadores.

“É uma situação horrível, principalmente quando a gente sabe e tem a consciência de que foi investido muito dinheiro na coleta seletiva do Rio. Por que esse dinheiro não foi investido no catador? Estamos cansados. De nove máquinas, seis estão paradas. O desejo deles é que fracasse para eles justificarem o erro”, criticou Evelyn.

Já a Central de Triagem de Bangu, cujo primeiro prazo de entrega dado foi agosto de 2014, ainda não ficou pronta e os catadores utilizam precariamente um galpão cedido pela Comlurb ao lado da obra.

“Essa obra está parada desde o ano passado. Enquanto nosso galpão não fica pronto, estamos trabalhando aqui mesmo. Nós tínhamos o exemplo de Gramacho, pois eles receberam a indenização e no dia seguinte não tinham mais nada. No Termo de Ajuste de Conduta nós fizemos questão que constasse que a Comlurb teria que alugar um espaço para os catadores continuassem trabalhando”, ressaltou Custódio.

De acordo com a companhia, a empresa contratada para realização da obra da Central de Triagem de Bangu não cumpriu o prazo e foi multada e penalizada. A obra para finalizar a Central de Triagem de Bangu foi licitada em maio deste ano e a conclusão está prevista para outubro.

A Central de Triagem do Centro precisou ser revista devido ao planejamento urbanístico da região do Porto Maravilha, o local anteriormente definido não pôde mais ser utilizado. Foi definida uma área da Comlurb no Caju e o projeto para a implantação da terceira CT está sendo realizado. As outras três centrais não tem

Salários baixos e número de trabalhadores reduzido

Com pouco material de qualidade, falta de maquinário e espaços improvisados, é difícil abrigar os catadores nas cooperativas. Segundo Evelin, em outubro do ano passado, 64 catadores trabalhavam na Central de Irajá, mas como não há matéria-prima para gerar fonte de renda para todos, o número caiu drasticamente.

“Hoje, eu tenho 25 cooperativados. O problema é a qualidade do material que vem. É muito rejeito. Até hoje, o máximo que consegui pagar foi R$ 880. Não recebemos material para 200 catadores trabalharem”, garantiu Evelyn. Quando a central de Irajá foi inaugurada em janeiro do ano passado, o prefeito Eduardo Paes afirmou que 200 postos de trabalho seriam criados e os catadores teriam renda de cerca de R$ 1.350.

Em Bangu, cerca de 36 catadores trabalham provisoriamente no galpão. Segundo o grupo, cada um consegue receber cerca de R$ 730 por mês. “Houve um tempo que a maior parte do material era rejeito. Mas brigamos, fomos lá na Comlurb e fizemos uma reunião. Hoje, o volume que chega vem com qualidade melhor, mas ainda não é o suficiente para mais que 36 pessoas. Não temos material suficiente, nem espaço adequado”, afirmou Eva.

Reciclagem de lata de alumínio chega a quase 100% no País

 


Quase todas as latinhas de alumínio produzidas no País são recicladas, segundo o estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) Brasil 2015, divulgado sexta-feira, 19, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2012, o reaproveitamento foi de 97,9%. O resultado, no entanto, não reflete apenas a preocupação do brasileiro com o meio ambiente.

"Há uma conscientização ambiental, mas o alto aproveitamento está mais ligado ao grande retorno financeiro obtido pelos catadores de lixo", afirma Júlio Jorge Gonçalves da Costa, pesquisador da Coordenação de Recursos Naturais (Cren) do IBGE.

A pesquisa mostra ainda que o índice de reciclagem de alumínio (não apenas latas) foi de 98,3% em 2011, superior a países desenvolvidos como Japão e Estados Unidos. Além do aspecto econômico, o reaproveitamento do produto ocorre também diante da facilidade para coletar, transportar e vender o alumínio, além da disponibilidade durante todo o ano.

De acordo com o IBGE, o reaproveitamento de outros produtos também vem aumentando, mas ainda numa proporção menor do que ocorre com as latinhas. Ao todo, 59% das embalagens PET foram recicladas em 2012.

O porcentual é menor no caso das embalagens longa vida (29%), uma vez que há necessidade de separar os materiais componentes (papel, alumínio e plástico). Esse processo é caro e dificulta a reciclagem desse tipo de embalagem, explicam os pesquisadores do IBGE.

domingo, 21 de junho de 2015

Papa defende revolução ambiental e critica os ricos e poderosos

 
O papa Francisco defende uma "revolução corajosa" para salvar o planeta, ameaçado pelo consumismo, em sua encíclica sobre o meio ambiente, na qual acusa o sistema econômico e financeiro de prejudicar os pobres.
O documento de quase 200 páginas, com o título "Laudato si (Louvado seja) sobre o cuidado da casa comum", foi apresentado oficialmente nesta quinta-feira no Vaticano.
O texto acusa sem rodeios a política, a tecnologia e as finanças de depredar o meio ambiente e gerar pobreza.
"A humanidade está convocada a tomar consciência da necessidade de realizar mudanças de estilo de vida, de produção e de consumo", escreveu o papa.
Francisco acusa a "política e as empresas de não estarem à altura dos desafios mundiais", depois de terem feito um "uso irresponsável dos bens que Deus colocou na Terra".
O papa argentino condena com palavras firmes o consumismo e o capitalismo selvagem, apontados como responsáveis pela degradação da "mãe e irmã Terra", como a chama.
"A Terra, nossa casa, parece converter-se cada vez mais em um imenso depósito de lixo", lamenta o pontífice.
Escutemos o "gemido da irmã Terra", acossada por uma brutal mudança climática e pela "cultura do descarte", pede.
A primeira encíclica que pode ser completamente atribuída ao pontífice argentino, já que a anterior foi escrita a quatro mãos com Bento XVI, é um texto "contundente e desafiador", que marcará "um antes e depois", segundo vários vaticanistas.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou a mensagem "forte e clara" da encíclica, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou que ele tenha colocado "o interesse geral acima dos interesses nacionais".
O presidente francês, François Hollande, cujo país vai sediar uma conferência global sobre a mudança climática no final deste ano, também parabenizou a mensagem, pedindo para que ela seja ouvida "em todos os continentes".
Em seu documento, o Papa adverte o mundo que "as previsões catastróficas" ambientalistas "já não podem ser consideradas com desprezo e ironia" e lembra que "a próxima geração pode deixar muito detritos, desertos e sujeira".
Francisco lembra que no mundo "há crianças que nascem, crescem e morrem em aterros sanitários", disse o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, presidente da Caritas Internacional durante a apresentação à imprensa.
"Hoje, 'qualquer coisa que é frágil, como o meio ambiente, fica indefesa ante os interesses do mercado divinizado, convertido em regra absoluta'", escreve o papa.
A encíclica verde é uma convocação "urgente" a uma "corajosa revolução cultural" que acabe com o "desenfreio megalômano", o consumismo, as desigualdades, ressaltou.
Francisco propõe sobretudo um novo modelo de desenvolvimento, baseado na sobriedade e solidariedade, e analisa ao longo de vários capítulos as razões da deterioração do planeta e de como as estruturas de poder provocaram o mesmo.
"Chegou o momento de aceitar um certo decrescimento em algumas partes do mundo, aportando recursos para que seja possível crescer de maneira saudável em outras partes", escreve o pontífice.
Francisco exige "limites" porque é "insustentável o comportamento daqueles que consomem e destroem mais e mais, enquanto outros não podem viver de acordo com sua dignidade humana".
É uma encíclica "única, fantástica", elogiou o ex-padre e teólogo brasileiro Leonardo Boff.
Grupos ambientalistas da Itália convocaram uma marcha no domingo para mostrar apoio ao Papa.
O papa denuncia o atual sistema econômico mundial que usa a "dívida externa como instrumento de controle" e acusa os países ricos por não reconhecerem a "dívida ecológica" que têm com os países em desenvolvimento.
"A dívida externa dos países pobres se transformou em um instrumento de controle, mas não acontece o mesmo com a dívida ecológica (...) com os povos em desenvolvimento, onde se encontram as mais importantes reservas da biosfera e que seguem alimentando o desenvolvimento dos países mais ricos ao custo de seu presente e de seu futuro", ressalta.
O pontífice latino-americano, que se inspirou em São Francisco de Assis, o santo defensor da natureza e dos pobres, teme uma guerra pela água, denuncia a perda da biodiversidade e a desigualdade entre regiões ricas e pobres.
O documento está dirigido a todo o mundo, e não apenas aos católicos, com um pedido de "responsabilidade" ante a destruição do planeta.
Apresentado a apenas seis meses da reunião de cúpula da ONU sobre o aquecimento global, prevista para dezembro em Paris, o documento terá influência na comunidade internacional.
"A submissão da política ante a tecnologia e as finanças se mostra no fracasso das reuniões mundiais", lamentou.
"Esta encíclica terá um impacto muito forte, nenhum papa havia tomado partido assim. É o fruto de uma paixão imensa", comentou Christiana Figueres, presidente da Convenção da ONU sobre a Mudança Climática.
Mas a postura de Francisco também gera críticas e reações. Analistas não descartam a possibilidade de campanhas contra o texto, baseadas em estudos científicos e financiadas pelos setores petroleiro e industrial, que têm grandes interesses na questão.

IBGE divulga Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2015

 

Estudo reúne 63 indicadores com o objetivo de traçar um panorama do país, em quatro dimensões: ambiental, social, econômica e institucional. 
Entre 2004 e 2011, as emissões de gás carbônico (CO2), um dos principais gases de efeito estufa, caíram 84,4% no setor de mudança do uso da terra e florestas. Isso ocorreu em consequência da queda do desflorestamento na Amazônia, que mostrou tendência de queda entre 2005 e 2013, atingindo o nível mais baixo em 2012 (4.571 km²).
No período de 2008 a 2013, o ano de 2013 apresentou o menor número de queimadas e incêndios, com 115.184 focos, enquanto em 2010, o ano com o maior valor, haviam sido 249.274 focos. Os incêndios se concentram em algumas regiões, sendo que a mais extensa e recorrente corresponde ao denominado Arco do Desflorestamento, que abrange o sul e o leste da Amazônia Legal.
Já a intensidade do uso de agrotóxicos mais que dobrou entre 2000 e 2012. Em 2002, ano de menor uso da série, a comercialização do produto era de 2,7 kg por hectare, enquanto em 2012 foi de 6,9 kg/ha. Os produtos considerados perigosos (medianamente) foram os mais representativos no período entre 2009 e 2012, respondendo por 64,1% dos itens comercializados em 2012.
A energia renovável perdeu participação na matriz energética brasileira, registrando, em 2012, sua menor participação em uma década (42,4%). Por outro lado, a participação de petróleo e derivados, fontes não renováveis de energia, aumentou de 36,7% para 39,2% entre 2008 e 2012.
É o que revelam alguns dos resultados da 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) Brasil 2015, que reúne 63 indicadores com o objetivo de traçar um panorama do país, em quatro dimensões: ambiental, social, econômica e institucional. Entre as fontes de pesquisa utilizadas para a construção dos indicadores estão a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), Produto Interno Bruto (PIB), Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) e Projeção da População do Brasil, todos do IBGE. O estudo também utiliza dados de ministérios, secretarias estaduais e municipais, Ibama, DataSUS, Iphan, Unesco e outras instituições.
Esta edição dá continuidade à série, iniciada em 2002, atualizando os indicadores já publicados e disponibilizando novas informações, além da introdução de novos dados, reafirmando o objetivo de disponibilizar um sistema de informações para o acompanhamento da sustentabilidade do padrão de desenvolvimento do país.
O estudo traz, pela primeira vez, informações sobre a diversidade cultural e ambiental brasileira, por meio do indicador de Patrimônio Cultural brasileiro, formado por 11 bens culturais e oito naturais, todos reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco).
A publicação completa pode ser acessada pelo link www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/ids/default_2015.shtm.
Para download do arquivo PDF, clique aqui.
Dimensão Ambiental: emissões de gás carbônico diminuem 84,4% entre 2004 e 2010
Com 19 indicadores, a dimensão ambiental do IDS aborda temas ligados à emissão de gases de efeito estufa, poluição do ar e das águas, uso de agrotóxicos, queimadas, desflorestamento, além de informações sobe saneamento básico, entre outros.
Em relação à emissão de gases de efeito estufa, houve uma queda de 84,4% das emissões de dióxido de carbono (CO2) no setor de mudança do uso da terra e floresta, (de 1.579.660 Gg para 246.245 Gg) entre 2004 e 2010. Isso ocorreu em função da redução do desflorestamento na Amazônia, que chegou ao seu menor valor em 2012 (4.571 km² de desflorestamento).
O ano de 2013 apresentou o menor número de queimadas e incêndios desde 2008, com 115.184 focos, enquanto em 2010, o ano com o maior valor, foram 249.274 focos. A espacialização dos focos de calor evidencia a sua concentração em algumas regiões do país, sendo que a mais extensa e recorrente corresponde ao denominado Arco do Desflorestamento, que abrange o sul e o leste da Amazônia Legal. Nesta região, as queimadas, associadas ao desflorestamento, são responsáveis pela destruição de grandes áreas florestais. Pará (20.542), Mato Grosso (17.768) e Maranhão (16.189) são os estados com os maiores números de focos de calor em 2013.
As terras indígenas (TIs) e unidades de conservação (UCs) também sofrem queimadas, embora em menor intensidade. Em 2013, os focos de calor destas áreas corresponderam a 14,9% do total do país. No mesmo ano, registrou-se a mesma tendência observada para o Brasil, com redução do número de focos de calor em relação a 2012 (30.956 para 17.137).
A análise segundo os biomas também mostra valores oscilantes, sendo que entre 2012 e 2013 ocorreu uma redução do número de focos de calor em todos os biomas. A Amazônia registrou a maior ocorrência de focos em todos os anos analisados (48.929 em 2013), seguido pelo Cerrado, com 42.622 focos de calor em 2013. Os demais biomas somados (Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa) corresponderam a 20,0% do total de focos de calor em 2013. A Mata Atlântica vem apresentando decréscimo contínuo desde 2011, mas ainda é o bioma mais desflorestado (85,5% de sua área original até 2012).
Desflorestamento na Amazônia Legal desacelerou de 27,8 mil km² em 2004 para 5,8 mil km² em 2013
De 1997 a 2004, o desflorestamento bruto anual na Amazônia Legal teve crescimento continuado, atingindo seu maior nível em 2004 (27.772 km²). De 2005 até 2013, a tendência foi de queda, chegando ao nível mais baixo em 2012 (4.571 km²).
Quanto ao desflorestamento bruto acumulado de 1997 a 2013, a análise das duas metades desse período de 16 anos mostra uma desaceleração: entre 1997 e 2004, a área desmatada foi de 159.078 km², enquanto de 2005 a 2013 foram desmatados 89.158 km².
Entre os biomas extra-amazônicos, o Cerrado teve 49,0% de sua área desmatada até 2010, enquanto na Caatinga, até 2009, a perda foi de 46,0%. O Pampa, único bioma restrito a uma única unidade da federação, ocupa 63,0% do Rio Grande do Sul e teve 54,0% da sua cobertura vegetal desmatada até 2009. Já o Pantanal teve 15,0% de sua área desmatada.
Brasil tem 1,5 milhão de km² de áreas protegidas
Em 2013, o país possuía 1.783 unidades de conservação (UCs), terrestres e marinhas, com cerca de 1,5 milhão de km², superando as áreas somadas de Portugal, França e Alemanha. Houve forte crescimento da área total das UCs: em 1992 elas representavam 5,4% do território nacional e, em 2013, 17,3%.
As unidades da federação com as maiores proporções dos seus territórios em áreas protegidas eram o Distrito Federal (93,5%), Amapá (62,8%), Acre (32,3%) e Pará (32,2%). Juntos, Amazonas e Pará concentravam 9,4% das áreas protegidas do país.
A Amazônia detém a maior área protegida (26,1%, das quais 16,3% são de uso sustentável e 9,4% de proteção integral), além de possuir também as maiores UCs em extensão, que ocupam uma área total de 1.093.604 km². O Pampa e o Pantanal são os biomas com as menores proporções dos seus territórios protegidos em UCs (2,7% e 4,6%, respectivamente). A Mata Atlântica, o Cerrado e a Amazônia possuem os maiores números de UCs (964, 362 e 313, respectivamente).
Brasil tem 627 espécies ameaçadas, a maioria da Mata Atlântica
Há 627 espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, metade delas na categoria vulnerável. Os grupos que apresentam maior número de espécies ameaçadas são as aves (160), os peixes de água doce (142) e os insetos (96 espécies).
Entre os biomas, a Mata Atlântica tem o maior número de espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção (275 e 269, respectivamente), com o Cerrado (131 espécies da flora) e a Amazônia (118 espécies da fauna) a seguir.
A maioria das espécies da flora ameaçadas encontra-se no Sudeste e no Sul. De um total de 4.617 espécies, 45,9% foram classificadas como ameaçadas, nas categorias Vulnerável (VU), Em Perigo (EN) ou Criticamente em Perigo (CR).
Ozônio é o principal poluente do ar em áreas urbanas
A emissão de ozônio (O3) é um dos pontos críticos para a poluição atmosférica, pois é de difícil controle, sendo gerado na baixa atmosfera por reações oriundas da queima de combustíveis fósseis. O aumento da frota de veículos dificulta o controle das concentrações do O3, além de aumentar a emissão direta dos outros poluentes atmosféricos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, dentre os poluentes estudados, é o que apresenta os maiores números de violações do padrão primário (576 em 2012). Em Belo Horizonte também é o poluente mais crítico em termos de número de violações (65 em 2011).
Uso de agrotóxicos mais que dobra em dez anos
Os valores de comercialização de agrotóxicos e afins por área plantada registram aumento contínuo a partir de 2009, alcançando 6,9 kg/ha em 2012. Isto representa um acréscimo de 4,2 kg/ha num período de dez anos, tendo em vista que em 2002 o valor foi de 2,7 kg/ha.
Quanto à análise por classes de periculosidade ambiental, as classes III (produto perigoso) e II (produto muito perigoso) foram as mais representativas no período 2009-2012, tendo participado com 64,1% e 27,7%, respectivamente, do total dos agrotóxicos comercializados em 2012. A classe IV (produto pouco perigoso) apresentou crescimento contínuo no período analisado. Em 2012, as classes de agrotóxicos mais comercializadas foram os herbicidas (62,6%), seguidos pelos inseticidas (12,6%) e fungicidas (7,8%).
A região Sudeste apresentou a maior comercialização de agrotóxicos por unidade de área (8,8 kg/ha), seguida pela região Centro-Oeste (6,6 kg/ha). Entre as unidades da federação, os maiores valores foram verificados em São Paulo (10,5 kg/ha), Goiás (7,9 kg/ha) e Minas Gerais (6,8 kg/ha), e os menores ocorreram no Amazonas e Ceará, com menos de 0,5 kg/ha.
Poluição e esgoto não tratado prejudicam qualidade das águas interiores
De 2001 a 2003, o percentual de esgoto tratado no Brasil era inferior a 60,0%. Em 2009, essa taxa chega a 68,4%. A parir de 2010, houve um declínio, possivelmente associado ao maior número de municípios amostrados, que eram 1.739 em 2009 e passaram a 1.948 em 2010. Em 2011, a taxa recuou para 67,9%. Assim, de 2001 a 2011, houve um incremento de aproximadamente 1,6 bilhão de m³ (ou 15,4%) no volume de esgoto tratado.
A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e o Índice de Qualidade da Água (IQA) são indicadores da qualidade da água em trechos de rios e represas. A DBO mede a quantidade de oxigênio necessária para degradar a matéria orgânica na água. Quanto maior o seu valor, pior é a qualidade da água. Já o IQA utiliza nove parâmetros (temperatura, pH, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio, coliformes termotolerantes, nitrogênio total, fósforo total, resíduo total e turbidez) e varia de 0 a 100. Quanto maior o valor, melhor a qualidade da água.
Entre os 367 pontos de monitoramento no país, 73,0% tinham DBO média dentro dos padrões do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), entre 0 e 5 mg/l. Mas o baixo percentual de tratamento dos esgotos lançados em corpos de água se reflete no alto valor de DBO e baixo IQA em trechos dos rios que cortam áreas urbanas ou industrializadas, como o Alto Tietê/Zona Metropolitana de São Paulo (inclusive a represa Billings) e o Iguaçu/Zona Metropolitana (Paraná).
Outros importantes corpos d’água mostraram valores médios anuais de DBO abaixo do limite, como rio Paraíba do Sul (no trecho que abastece a região metropolitana do Rio de Janeiro) e os rios Caí, Gravataí e Sinos (formadores do Lago Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre).
Dimensão social: mesmo com tendência de redução, doenças relacionadas ao saneamento inadequado ainda persistem
Os dados do IDS 2015 apontaram avanços na maior parte dos 21 indicadores da dimensão social, que avaliam a satisfação das necessidades humanas, melhoria da qualidade de vida e justiça social. Os indicadores se relacionam a temas como demografia, emprego, saúde, educação e violência.
Mesmo apresentando tendência de declínio, o número de internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado (DRSAI) ainda é elevado. Em 2013, ocorreram 202,6 casos por 100 mil habitantes, uma redução de 37,8% na comparação com 2000 (326,1 por 100 mil habitantes). As diferenças regionais são marcantes: enquanto na região Norte, 396,1 pessoas foram internadas para cada 100 mil habitantes, no Sudeste esse número chegou a 78,3, em 2013. Em relação aos estados, alguns atingiram valores superiores a 500 (Maranhão, Piauí e Pará), enquanto em São Paulo foram 55,5 internações por 100 mil habitantes, o menor valor do país.
Desde a segunda metade da década de 1990, as coberturas de vacinas como sarampo, tríplice bacteriana e poliomielite, que antes apresentavam oscilações, passaram a um movimento de rápida ascensão, alcançando a totalidade da população alvo ou chegando próximo a isso. A BCG, desde o início do período analisado, foi uma vacina de grande amplitude, partindo de 90% e apresentando, desde 1995, cobertura plena (100%).
A década de 2000 apresentou mudanças no esquema vacinal, com a tríplice bacteriana sendo substituída pela tetravalente em 2002 e a vacina contra sarampo sendo incorporada à tríplice viral a partir de 2003. Desde sua implantação, esta última vacina tem apresentado constância na cobertura plena, enquanto a tetravalente tem mostrado certa oscilação, porém com taxas sempre elevadas, variando de 94% a 100%.
O aumento da proporção de crianças imunizadas contra o sarampo é um dos indicadores utilizados pela ONU para avaliar o atingimento da meta de redução da taxa de mortalidade infantil.
Dimensão econômica: energia não renovável amplia sua participação na matriz energética brasileira
Além de informações sobre energia e reciclagem, os 11 indicadores da dimensão econômica abordam dados relacionados ao PIB, endividamento do país e rejeitos radioativos.
O consumo final de energia per capita apresentou crescimento constante ao longo do período 2000-2012, com exceção apenas para 2009, tendo passado de 41,5 GJ/habitante em 2000 para 53,3 GJ/hab, em 2012. A população cresceu 1,2% ao ano em média, enquanto o consumo de energia exibiu um crescimento de 3,3% ao ano. A queda em 2009 (47,8 GJ/hab) possivelmente se deveu à crise mundial de 2008. O maior acesso da população aos bens de consumo essenciais e aos serviços de infraestrutura acarretou aumento do consumo de energia, o qual, por sua vez, causa impactos sobre a população e o meio ambiente.
A participação da energia não-renovável na matriz energética brasileira apresentou crescimento (de 56,1% em 2003 para 57,6% em 2012), principalmente na oferta de petróleo e derivados, que passou de 36,7% para 39,2%, entre 2008 e 2012. Os combustíveis fósseis continuam a dominar a matriz energética brasileira (57,6%), mas, analisando-se a distribuição das diferentes fontes renováveis, percebe-se que os derivados de cana-de-açúcar e carvão vegetal estão perdendo participação, em parte devido ao aumento relativo das fontes alternativas (solar, eólica, biomassa, biogás etc.). A participação destas fontes na matriz energética passou de 2,8% em 2003, para 4,1% em 2012. Já participação da lenha e do carvão vegetal caiu de 13,2% para 9,1%, entre 2004 e 2012. Embora considerados fontes renováveis, nem sempre são produzidos de forma sustentável, ou seja, a partir de florestas plantadas para tal.
Tabela 115 – Distribuição percentual da oferta interna de energia, segundo as fontes de energia
Brasil – 2003-2012
Fontes de EnergiaDistribuição percentual da oferta interna de energia (%)
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
            Total
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
Energia não-renovável
56,1
56,0
55,3
54,8
53,9
53,9
52,7
54,9
56,0
57,6
      Petróleo e derivados
40,2
39,3
38,8
37,9
37,5
36,7
37,9
37,8
38,6
39,2
      Gás natural
7,7
8,9
9,4
9,6
9,3
10,3
8,8
10,2
10,2
11,5
      Carvão mineral e derivados
6,4
6,3
6,0
5,7
5,7
5,5
4,6
5,4
5,7
5,4
      Urânio e derivados
1,8
1,5
1,2
1,6
1,4
1,5
1,4
1,4
1,5
1,5
Energia renovável
43,9
44,0
44,7
45,2
46,1
46,1
47,3
45,1
44,0
42,4
      Hidráulica e eletricidade (1)
14,7
14,5
14,9
14,9
14,9
14,1
15,2
14,0
14,7
13,8
      Lenha e carvão vegetal (2)
12,9
13,2
13,1
12,7
12,0
11,6
10,1
9,7
9,5
9,1
      Derivados da cana-de-açúcar
13,5
13,5
13,8
14,6
15,9
17,0
18,1
17,5
15,7
15,4
      Outras fontes primarias renováveis
2,8
2,8
2,9
3,0
3,2
3,4
3,9
3,9
4,1
4,1
Fonte: Balanço Energético Nacional 2013. Ano base 2012. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética – EPE, 2013. Disponível em: . Acesso em: mar. 2015.
(1) Conversão de energia elétrica segundo o equivalente térmico teórico – primeiro princípio da termodinâmica (1 KWh = 860Kcal).
(2) Fontes consideradas renováveis embora nem toda a produção de lenha e carvão vegetal se dê de modo sustentável.
Reciclagem de latas alcança 97,9% da sua produção
Observa-se uma tendência de crescimento da reciclagem entre 1993 e 2012. As latas de alumínio mantiveram seu destaque, com o reaproveitamento de 97,9% em 2012. Em 2011, por exemplo, o Índice de Reciclagem de alumínio (não apenas latas) para o Brasil foi de 98,3%, superior ao do Japão (92,6%), Argentina (91,7%) e Estados Unidos (65,1%), conforme apresentado pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem. Isto se deve a vários fatores, como a existência de mercado de reciclagem em todas as regiões do país, a facilidade para coletar, transportar e vender, a sua disponibilidade durante todo o ano e o alto valor de mercado da sucata de alumínio.
Aproximadamente 59,0% das embalagens pós-consumo de PET foram recicladas em 2012. Para as embalagens longa vida, também conhecidas como cartonadas ou tetrapak, de reciclagem mais recente, os valores são mais baixos, tendo alcançado 29,0% em 2012, em razão da necessidade de separar os materiais componentes (papel, alumínio, plástico), fator que dificulta a reciclagem desse tipo de embalagem.
Dimensão institucional: Unesco reconhece 11 bens culturais e oito naturais no Brasil
A dimensão institucional, com 12 indicadores, aborda temas como acordos multilaterais internacionais, legislação, serviços de tecnologia e patrimônio cultural.
O país tem, hoje, 11 bens culturais e oito bens naturais considerados patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco). Entre 1980 e 1987, o Brasil obteve o reconhecimento de seis deles, a maioria cidades históricas. Foi necessário o dobro do tempo (1987-2012) para outros cinco bens culturais serem considerados de importância mundial. O mais antigo é o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto (MG), de 1980, e os mais recentes são o Centro Histórico da Cidade de Goiás (GO) e a Praça de São Francisco, em São Cristóvão (SE), aprovados em 2010, e paisagens cariocas entre a montanha e o mar (RJ), aprovado em 2012.
Quanto aos bens naturais, o primeiro reconhecimento foi em 1986, o do Parque Nacional do Iguaçu (no Paraná). Em 2001, já eram oito, ano em que entraram para a lista o Parque Nacional dos Veadeiros e das Emas (GO) e o Parque Nacional de Fernando de Noronha e Atol das Rocas (PE). Com exceção da Sudeste, todas as regiões do Brasil e a maioria dos biomas, exceto o Pampa, têm pelo menos um bem natural incluído na lista.
Já a lista de bens imateriais que fazem parte do Patrimônio Mundial é integrada pelo Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), Expressão Oral e Gráfica dos Wajãpi (AP), Frevo do Carnaval de Recife (PE) e Círio de Nazaré (PA). Em 2011, o Comitê destacou um bem imaterial em necessidade urgente de salvaguarda: o Yaokwa, ritual do povo Enawene Nawe (MT), entre o Cerrado e a Amazônia.
A maioria dos bens materiais está nas regiões Sudeste e Nordeste, enquanto os imateriais se distribuem mais uniformemente pelo território brasileiro, com ênfase na região Norte.

Governadores da Amazônia debatem economia verde na Espanha

 

Grupo da Força Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas tem o compromisso de reduzir o desmatamento em 80% até 2020
 - Debates, painéis, mesa-redonda e ampla discussão sobre meio ambiente e sustentabilidade estão na programação da Força Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas (GCF). Este ano o evento será realizado de 15 e 18 de junho, em Barcelona, Estado da Catalunha, na Espanha. Os governadores do Acre, Mato grosso, Tocantins e Pará confirmaram presença no evento.
Outros países levarão seus governadores, entre eles, Indonésia, Peru, México e Nigéria. Mato Grosso é um dos membros fundadores do GCF e todos os anos participa das reuniões, que já passaram pelo Brasil, Indonésia, México e Peru. 
O encontro é realizado dez meses após a divulgação da Declaração de Rio Branco, quando os membros do grupo anunciaram o compromisso de reduzir o desmatamento em 80% até 2020. No entanto, já na carta divulgada em agosto de 2014, os gestores de 26 Estados e Províncias de sete países indicaram uma condicionante que será reforçada agora, diante de investidores e organismos governamentais da Europa: o compromisso só será possível com o devido financiamento.  “Estamos comprometidos em garantir que uma parcela substancial de qualquer benefício adicional de pagamento por desempenho que chegue até nossas jurisdições sejam dedicados às comunidades dependentes da floresta, pequenos produtores e povos indígenas”, aponta o texto da carta do GCF (Governadores para o Clima e Floresta).
Na prática, o que se busca – e o debate em terras europeias irá consolidar essa posição – é que a chamada economia verde ganhe novos mercados e que sejam definidos financiamentos para desenvolver projetos, pesquisas e atividades que possam contribuir para a redução do desmatamento, mas ainda assim gerar receita e renda para as populações locais, avançando na inclusão social. “A Amazônia tem um duplo papel, que é ser base de vida digna para as pessoas que aqui vivem, mas também tem o papel de prestar serviços ambientais em escala planetária. 
Permitir que esses papéis possam ser executados em harmonia é um enorme desafio que a sociedade deve enfrentar”, destaca o governador Simão Jatene. Nos debates do encontro em Barcelona, estão agendados painéis com participação de grandes empresas consumidoras, como Ignacio Gavilan, do Fórum de Bens de Consumo. A organização possui hoje 400 empresas filiadas, somando três trilhões de dólares de receita e definiu, recentemente, que tem como meta estabelecer cadeias de abastecimento de suas atividades com desmatamento zero até 2020. No painel chamado “Parcerias do Setor Privado: sustentabilidade na cadeia de abastecimento”, também estarão presentes representantes de grandes companhias, como a McDonald’s, Walmart, Grupo Amaggi, Banco Latino Americano de Desenvolvimento e o Fundo de Defesa do Meio Ambiente.
Outro momento importante da programação em Barcelona será o painel sobre Financiamentos e Recursos Financeiros para o REDD+, sigla que identifica políticas de preservação ambiental que garanta recursos, especialmente as que trabalham com Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. Para este painel, entre outras autoridades, estará presente a Iniciativa Internacional para o Clima e Florestas, da Noruega, país que vem se consolidando na formação de fundo de financiamento para preservação do meio ambiente. 
Também participa do debate John Verdieck, Oficial de Relações Exteriores, dos Estados Unidos e Melissa Pinfield, do Departamento de Energia e Mudança Climática do Reino Unido, entre outros. “Este será um momento único de apresentarmos o que temos feito, mas, sobretudo, nos posicionarmos e tentarmos colaborar na consolidação de mecanismos de financiamento do serviço ambiental que a Amazônia e os estados que possuem florestas tropicais prestam ao mundo”, afirma Justiniano Netto, secretário extraordinário para o Programa Municípios Verdes (PMV), do Governo do Pará.
Combate ao desmatamento 
O conceito e os principais resultados do programa paraense Municípios Verdes também serão apresentados durante o evento em Barcelona. Desde o lançamento do PMV, em 2011, o Pará reduziu em 39% o desmatamento (de 3.008 km² para 1.829 km²), enquanto que a redução média na Amazônia foi de 24% (de 6.418 km² para 4.848 km²). Entre as medidas adotadas pelo Governo do Estado nos últimos anos está o ICMS Verde, criado a partir de regras inovadoras que beneficiam os municípios que estão reduzindo o desmatamento e que possuem maior percentual de CAR (Cadastro Ambiental Rural) e de áreas protegidas. Em 2014, primeiro ano de repasse, o governo disponibilizou mais de R$ 36 milhões aos municípios, baseados em critérios ambientais. Em 2017 serão 8% do total do repasse do ICMS, o que totalizará cerca de 140 milhões de reais.
Nos últimos anos, outras medidas foram lançadas pelo Governo do Estado com o intuito de avançar no combate ao desmatamento e também de estimular o ordenamento ambiental rural e a produção sustentável, como a Lista do Desmatamento Ilegal (LDI), Protocolo Verde dos Grãos e a Segunda fase do Plano de Prevenção, Controle e Alternativas ao Desmatamento.
 Algumas dessas iniciativas serão apresentadas pelo governador Simão Jatene durante o evento, tendo como objetivo consolidar o Pará como referência ao tema e buscando investimentos através de fundos internacionais. “O Brasil hoje tem o Fundo Amazônia, que recebe recursos da Noruega de acordo com a performance de redução do desmatamento e, no momento, a Amazônia conseguiu acessar menos de 10% do que teria direito. A ideia é que o Pará possa usar mecanismos financeiros como o do Fundo Verde para o Clima pelo esforço que já fizemos, inclusive nas nossas economias locais para reduzir o desmatamento. Nós mantemos o compromisso de continuar reduzindo o desmatamento cumprindo as metas até 2020, mas precisamos urgentemente acessar  fundos e mecanismos de cooperação financeiras e técnicas com outros países, a fim de trazer novos investimentos para as nossas regiões”, explica o secretário Justiniano Netto.
Para o secretário, há uma necessidade da Amazônia, do Pará e do mundo de transitar para um modelo de produção econômica que seja mais inclusivo, combata a pobreza e desigualdade, mas ao mesmo tempo seja menos intensivo na emissão de carbono. “Isso é fundamental para que a gente consiga evitar o agravamento das mudanças climáticas e redução de CO2. Na Amazônia, o grande vetor de carbono tem sido o desmatamento com conversão de florestas para o uso da terra. Ao longo dos últimos 10 anos, o Brasil e o Pará, em especial, fizeram um trabalho enorme para a redução do desmatamento. A Amazônia já representou mais de 50% das emissões brasileiras e reduziu para algo em torno de 30%, um resultado significativo no cenário nacional, mas que pode ser ampliado. Para isso, precisa de mecanismos, garantindo renda para as pessoas que aqui vivem”, diz Justiniano.

sábado, 20 de junho de 2015

Câmara aprova lei que garante espaço para Economia Solidária em eventos do município

 

 


A Câmara Municipal de Dourados aprovou na segunda-feira (16) o projeto de lei nº 53/2015, de autoria do vereador Elias Ishy (PT), que visa assegurar 30% (trinta por cento) do espaço físico destinado à praça de alimentação e à área de comercialização de produtos aos empreendimentos de Economia Solidária em todos os eventos festivos e culturais previstos no calendário do município.
“Dourados foi um dos primeiros a instituir o Fórum Municipal de Economia Solidária, teve aprovada em 2011 a lei municipal de apoio e fomento à Economia Solidária, além da criação de uma secretaria específica. Ao longo dos anos, os empreendedores solidários estão cada vez mais organizados e expandindo sua capacidade produtiva. Essa lei é mais um passo importante para o fortalecimento do movimento da Ecosol em nosso município”, afirmou Ishy.
A lei aprovada por unanimidade determina que a Prefeitura publique no Diário Oficial a chamada pública, informando o prazo de inscrição aos empreendimentos solidários interessados na participação nos eventos festivos e culturais e o total de barracas e espaços destinados à Economia Solidária. Caso as vagas não sejam preenchidas, estes espaços poderão ser redistribuídos conforme critérios definidos para a realização do evento.
Para serem contemplados, empreendimentos solidários deverão estar incluídos no Cadastro de Empreendimentos Econômicos Solidários – CADSOL e aprovados após consulta ao Conselho Municipal de Economia Solidária.
Ishy destaca que esta lei vem atender a uma reivindicação do movimento da Economia Solidária, pois nos últimos anos a cada evento realizado no município os empreendedores solidários eram obrigados a fazer uma “romaria” pelas secretarias organizadoras solicitando espaços para comercialização de seus produtos. A Prefeitura acabava atendendo, mas com esta lei ficam estabelecidos os critérios para distribuição dos espaços, tornando-se um dispositivo legal que vem incrementar o que determina a lei de apoio e fomento à Economia Solidária de 2011.
A lei segue agora para sanção pelo prefeito e publicação no Diário Oficial.