terça-feira, 23 de maio de 2017

O Boticário troca embalagens vazias da marca por maquiagens novas


 

O Boticário vai trocar embalagens vazias de seus produtos por itens de maquiagem nas lojas físicas da marca. A ação faz parte do programa de reciclagem da indústria, o Boti Recicla, que tem como proposta orientar as pessoas e incentivá-las a fazer o descarte correto dos resíduos.
Para fazer a troca, os consumidores precisam se cadastrar no site da promoção (botirecicla.com.br) e, depois, entregar a embalagem vazia em uma loja. Ao fazer o cadastro, o participante escolhe o ponto de venda no qual prefere fazer a troca e verifica a disponibilidade dos produtos de maquiagem das marcas Intense e MakeB.
O cadastro também garante um voucher de desconto de até 20% na compra de produtos na linha Intense.
A promoção é válida até 26 de maio, apenas nas lojas físicas, ou enquanto durarem os estoques. O cadastro pode ser feito exclusivamente pelo site. O consumidor irá receber na troca apenas um item por CPF cadastrado.
A empresa já mantém um programa de logística de embalagens. Em qualquer época do ano, as lojas físicas recebem frascos, cartuchos, potes e outros recipientes das quatro marcas do Grupo Boticário (O Boticário, quem disse, Berenice?, The Beauty Box e Eudora).
Todas as embalagens vazias recolhidas são enviadas a cooperativas de coletores de material reciclável homologadas pela indústria.

sábado, 20 de maio de 2017

Economia compartilhada: jovens questionam necessidade de possuir carro

 

Entre as gerações Y e Z, 62% consideram dispensável possuir um veículo no futuro

A indústria automotiva, em especial a nacional, tem um grande desafio para garantir sua sustentabilidade diante das mudanças de comportamento dos consumidores estimuladas pelas novas tecnologias. É o que mostra a mais recente edição do Global Automotive Consumer Study: Future of Automotive Technologies, elaborado pela Deloitte em 17 países.
O levantamento mostra, por exemplo, que, dentre os brasileiros que utilizam serviços de veículos compartilhados para se locomover, 55% questionam a necessidade de ter seus próprios carros. Essa tendência é ainda mais evidente quando considerada apenas a opinião dos mais jovens, que pertencem às chamadas gerações Y e Z: 62% deles consideram dispensável possuir um veículo no futuro.
“A pesquisa apurou que a maioria dos brasileiros (64%) afirma nunca, ou quase nunca, utilizar serviços de compartilhamento de veículos. Isso é compreensível, já que nosso País é muito grande e esses serviços só estão disponíveis nos grandes centros urbanos. Mas é interessante perceber que 43% dos jovens que participaram do estudo utilizam esse serviço pelo menos uma vez por semana”, afirma Reynaldo Saad, sócio-líder da área de Bens de Consumo e Produtos Industriais da Deloitte Brasil.
“Nossos jovens estão cada vez mais inclinados a abrir mão de ter a propriedade de um carro, preferindo vivenciar esse movimento do compartilhamento, o que é um indicativo muito importante da tendência futura de consumo. Cabe à indústria automotiva acompanhar muito de perto essa nova realidade”, acrescenta o executivo da Deloitte.
Outro item relevante apurado pelo estudo, e que também deve estar no radar dos gestores da indústria automotiva, é o recuo na disposição do brasileiro de investir em recursos tecnológicos embarcados nos veículos. De acordo com o levantamento de 2014, os consumidores que participaram daquela edição afirmaram que poderiam gastar até R$ 5.951 em média para contar com determinados equipamentos tecnológicos em seus veículos. Essa pretensão de gasto caiu para a média de R$ 1.995 no estudo de 2016.
De acordo com Carlos Ayub, sócio da Deloitte especializado em Indústria Automotiva, além da crise financeira, que naturalmente afeta a disponibilidade para gastar do brasileiro, o consumidor hoje conta com novos recursos tecnológicos em seus próprios smartphones, que servem para complementar e facilitar sua experiência ao conduzir um veículo.
“Afinal, por que o consumidor vai pagar mais por um avançado sistema multimídia automotivo se ele já tem vários recursos disponíveis gratuitamente em seu celular, e que facilmente podem ser usados em veículos?”, questiona Ayub. “Cabe à indústria se adequar a essa realidade criada pelas tecnologias móveis e permitir que os novos automóveis facilitem a conexão para valorizar a experiência dos consumidores, que estão cada vez mais cautelosos no momento de gastar seu dinheiro. Firmar parcerias e oferecer serviços agregados ao produto também devem ser soluções que permitirão à indústria automobilística atrair clientes”, complementa ele.

Impactos causados pela redução de áreas naturais no Brasil

 

 


Recentemente, o governo federal propôs a redução de mais de 1 milhão de hectares da área de unidades de conservação (UCs), que inclui áreas do Pará, na Amazônia, e de outras regiões do Brasil.

A mudança, que já foi aprovada por uma comissão mista de deputados e senadores, acontece por meio de uma ferramenta ágil e destinada apenas a assuntos urgentes: as medidas provisórias. No último dia 16 de maio, a MP 756 foi aprovada pela Câmara dos Deputados, que autoriza a mudança de categoria de parques nacionais e de florestas nacionais e os transforma em áreas de preservação ambiental (APAs), cujas restrições para exploração são menores.

A proposta atinge uma região que sofre com o desmatamento há anos. Apesar da redução do índice histórico de desmatamentos na Amazônia, em 2016 ainda foram registrados 8 mil km² pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – área equivalente a quase uma vez e meia o Distrito Federal, que tem 5,7 mil km². As consequências dessas ações não afetam somente quem vive perto das florestas, mas abrange todo o País, de Norte a Sul, sem contar o impacto causado na fauna, na flora e nos serviços ambientais daquelas áreas reduzidas pela proposta.


A falta ou excesso de chuva no Brasil é influenciada pela Amazônia. É na Amazônia que são formados os rios aéreos ou voadores, que são massas de ar carregadas de vapor d’água. A floresta amazônica atrai a umidade evaporada pelo oceano e cria correntes de ar que transportam essa umidade em direção ao Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. De acordo com o biólogo e diretor da Permian Brasil, Fábio Olmos, existem diversos estudos que mostram que a segurança hídrica nacional depende da Amazônia. "Tanto os centros urbanos como o campo, a região mais povoada do País ou a mais remota, dependem dos serviços ambientais fornecidos pela floresta e outros ecossistemas naturais. Isso sem nem mencionar a questão das emissões de gases de efeito estufa associadas ao desmatamento, que intensificam a mudança global do clima", afirma ele, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Conservação da natureza não está na lista da maioria dos governantes. Parece ser uma triste verdade. As recentes mudanças anunciadas pelo governo brasileiro demonstram que as regras atendem aos interesses de poucos e não a vontade de muitos. No Pará, os limites do Parque Nacional do Rio Novo, Parque Nacional do Jamanxim e da Área de Proteção Ambiental do Tapajós correm sérios riscos de serem alterados. Essas últimas mudanças aconteceram por meio das Medidas Provisórias 756 (aprovada pela Câmara dos Deputados na terça, 16 de maio) e 758, que, além do Pará, também propõe alteração na área do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina.

Não estamos reduzindo o desmatamento. Por cerca de 10 anos, até a celebração do Acordo de Paris na Conferência de dezembro de 2015 (COP21), a redução de desmatamentos na Amazônia era destaque global ano após ano: a taxa anual foi reduzida em 83% e oscilou entre 5 a 6 mil km²/ano até 2015. Em 2016, no entanto, os desmatamentos medidos pelo sistema PRODES do INPE registraram quase 8 mil km² na região. Entre as causas, pode-se apontar tanto as reduções orçamentárias dos órgãos ambientais reguladores, como mudanças do Código Florestal Brasileiro, em 2012, que anistiaram desmatamentos ilegais do passado, encorajando o descumprimento da lei.

O Brasil é um país que não cumpre acordos internacionais. O Acordo de Paris foi assinado em 2015 por dezenas de países que se comprometeram a parar e reduzir o aquecimento global e suas consequências. O ideal é que as nações signatárias promovam mudanças para que o aumento não supere 1,5°C. O Brasil foi protagonista nas negociações que concretizaram o pacto e se comprometeu a reduzir em 37% as emissões de gases de efeito estufa até 2025, 43% até 2030 em relação às emissões de 2005, e zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030. Ou seja, até lá, o Brasil está dizendo que continuará tendo desmatamento ilegal na Amazônia; e, quanto aos demais Biomas, o compromisso brasileiro não traz metas específicas. De acordo com o climatologista Carlos Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, com as constantes reduções de áreas protegidas e o aumento do desmatamento, dificilmente chegaremos à meta de desmatamento zero, que já era desafiadora. "A relação entre o desmatamento, a floresta e o clima é real e nos afeta diariamente. Não podemos perder o trem da história, pois o custo será o futuro de nossa e das próximas gerações", analisa Nobre.

O clima do planeta está esquentando. A temperatura média do planeta está aumentando e isso é perigoso! Dados divulgados pela Nasa, agência espacial americana, e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), em janeiro deste ano, confirmam que a temperatura do planeta bateu recordes pelo terceiro ano consecutivo. Em 2016, o planeta estava 0,99 grau Celsius mais quente que a média do século XX. Há grande consenso científico de que a maior parte do aquecimento observado nos últimos 60 anos é devido ao aumento da concentração de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2), decorrente da emissão de combustíveis fósseis, do desmatamento, entre outros. Quanto menos áreas naturais tivermos, pior ficará a situação.

Quando uma floresta é derrubada, as outras regiões também são afetadas. Além do impacto no regime de chuvas, as florestas também atuam como reguladores do clima, proteção de rios e das espécies que vivem nelas, entre muitos outros fatores. O recente surto de febre amarela que alarmou o Brasil é consequência do desmatamento da Mata Atlântica, por exemplo.

Pecuária é uma das atividades mais poluentes. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançou o relatório Estado das Florestas do Mundo 2016 e concluiu que, no Brasil, mais de 80% do desmatamento está ligado à conversão de terras em terrenos de pasto. Além disso, o relatório analítico do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) do Observatório do Clima mostra que as emissões diretas e indiretas do agronegócio representam dois terços das emissões brasileiras de gases de efeito estufa.

Medidas provisórias deveriam ser usadas com mais cautela[/b. Na hora de mudar ou propor normas, o governo tem três caminhos possíveis: as medidas provisórias (MPs), os decretos e os projetos de lei. Os decretos podem ser feitos apenas pelo presidente, governadores e prefeitos para determinadas leis. Os projetos de lei são a maneira mais tradicional e "certa" de se propor uma mudança, mas também são mais lentas e burocráticas. É aí que surgem as MPs, que devem ser usadas apenas em casos relevantes e urgentes e quem define isso é o presidente da República. Uma medida precisa ser aprovada em no máximo 120 dias e tem força de lei imediata. Usar uma MP para alterar a área de uma unidade de conservação, por exemplo, é uma distorção grave da lei, de acordo com o advogado especializado em causas ambientais, Marcelo Dantas, que é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza. "Se as alterações sugeridas na Amazônia são urgentes a ponto de pedir uma medida provisória, certamente elas atendem a interesses específicos e que divergem da opinião da população. Essa manobra foi feita para driblar a burocracia e reduzir a resistência na aprovação", explica.

Florestas e áreas de preservação podem gerar emprego e renda. Acreditar que desmatamento e danos ambientais estão ligados ao desenvolvimento é um pensamento, no mínimo, atrasado. Carlos Eduardo Young, economista e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, defende o conceito de economia verde: uma prática que estimula atividades associadas à preservação ambiental, uso eficiente de recursos e inclusão social. "As atividades ‘verdes’ tendem a ser mais intensivas em mão de obra e em produtos manufaturados com maior conteúdo de inovação", explica.

O desmatamento das áreas naturais induz a mais violência no campo. Há no Brasil uma tradição de que, se for estabelecido um uso produtivo da terra, é possível ter direito à sua posse. Nesse ponto de vista, a taxa de desmatamento tende a aumentar e dar a oportunidade para que grileiros reclamem para si o direito à posse; e o resultado: violência. De acordo com o artigo "Direitos de Propriedade, Desmatamento e Violência: Problemas para o Desenvolvimento da Amazônia", publicado em 2014, nos municípios onde há mais desmatamento, a taxa de homicídios também é maior. Para o pesquisador Carlos Eduardo Young, que é membro da Rede de Especialistas e um dos autores do artigo, "há inúmeros estudos que apontam como o processo de desmatamento é acompanhado por atos de violência, que vão do conflito entre posseiros e grileiros, até a expulsão dos antigos moradores da floresta. Casos, ainda, que podem resultar em homicídio", explica.

Negócios que investem em sustentabilidade têm crescimento



A sustentabilidade está em alta: um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceira com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), revela que 10% das carteiras dos bancos brasileiros já correspondem a empresas que colocam as preocupações socioambientais entre as prioridades. O reconhecimento desse compromisso nos negócios, que pode ser aferido com certificações internacionais também cresce. Dados do Inmetro de abril deste ano mostram que Santa Catarina já ocupa o quinto lugar entre os Estados brasileiros cujas empresas possuem certificação ambiental. São 83 no total. O líder nesse quesito é São Paulo, com 892 companhias registradas.
Para o economista Eduardo Alvares Beskow, pesquisador do Observatório de Sustentabilidade e Governança da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), as empresas só têm a ganhar agregando o conceito de sustentabilidade às marcas. O especialista lista vários fatores que comprovam a tese. O primeiro é de que existem fundos de investimento que só aplicam seus recursos em empresas que possuem relatório de sustentabilidade, respeitam as diretrizes para a preservação ambiental, utilizem energias renováveis etc. Nesse sentido, as companhias que queiram atrair novos capitais, já começariam com vantagens.
O segundo ponto observado pelo economista é o custo. Investir na utilização de menos água e energia, em matéria-prima reutilizada, e na redução da distância do transporte de mercadorias significa uma redução significativa nos gastos da empresa. E a razão mais importante para que os empreendedores se sintam impulsionados a abrir um negócio sustentável, sem dúvida, é o investimento a curto e longo prazo no bem-estar global.
É fundamental, no entanto, ressaltar que o termo sustentável não está atrelado apenas à natureza. A questão social, muitas vezes, passa despercebida. Doutora em Direito Ambiental pela UFSC, Fernanda Medeiros resume o conceito de sustentabilidade aplicado ao empreendedorismo como a busca constante entre o crescimento econômico e o devido cumprimento das normas de proteção do ambiente e do respeito ao trabalhador. 
Modelos que inspiram
Estar de acordo com as normais ambientais e sociais também não garante a lucratividade. Para quem ainda não abriu o próprio negócio, o economista Eduardo Beskow recomenda a pesquisa de modelos de empresas que já realizam ações sustentáveis na fabricação de produtos ou na prestação de serviços e a adaptação dessas ações para as suas novas empresas.
– Diversos negócios podem ser rentáveis e sustentáveis. Qualquer atividade de produção orgânica, que utilize os recursos locais e que esteja de acordo com a legislação ambiental, fornecerá um produto saudável, inovador, além de contribuir com a saúde e a qualidade de vida das pessoas – sugere Beskow.
Garimpo no lixo que vira matéria-prima de design
Guilherme Almeida trabalhava em um dos maiores escritórios de design de São Paulo há cerca de um ano. Cansado do ritmo da metrópole e das pressões da profissão de publicitário, optou por abrir mão do alto salário, mudar para Florianópolis com a família e abrir o próprio negócio. Gastou cerca de R$ 10 mil em ferramentas para construir uma oficina no mesmo terreno da casa onde vive e retomou uma paixão antiga: a de criar produtos juntando técnicas de marcenaria e design. Assim, nasceu a Less.
Além do trabalho nas peças ser feito de forma artesanal, o diferencial da marca é o uso de matéria-prima reutilizada, como garrafas de vidro e peças de madeira encontradas em depósitos de reciclagem ou mesmo no lixo. O ofício de Almeida consiste em garimpar bons materiais nas ruas para a base das peças e transformá-los, de forma minuciosa, em porta-discos, luminárias, relógios e posters.
Para o empresário paulista, a proposta sustentável da Less reflete a preocupação de manter a coerência entre o negócio e o jeito com que leva a vida pessoal.
– O meu dia a dia é sustentável. Eu me preocupo em separar o lixo que produzo em casa, em economizar água e energia. A minha empresa não daria certo se não fosse coerente com o meu estilo de vida, observa o empreendedor.
A Less vende cerca de 40 peças por mês para todo o Brasil e algumas encomendas são negadas porque a empresa não dá conta da demanda. Por isso, entre as metas imediatas do empresário está a contratação de funcionários.
O gaúcho Paulo Rodriguez, o cearense Márcio Holanda e a portuguesa Ana Ruivo também escolheram Florianópolis para empreender na área sustentável. A dupla de brasileiros deu início à Baixo Impacto Arquitetura em 2006, com o foco em desenvolver empreendimentos ecológicos e bioconstruções em lotes urbanos, rurais, sítios, condomínios e ecovilas. Surpresos com o aumento significativo da busca por construções verdes a partir de 2012, convidaram a arquiteta estrangeira para fazer parte da equipe durante um projeto da Organização das Nações Unidas (ONU) em São Tomé e Príncipe, na África, onde atuaram juntos.
Mesmo com a questão da sustentabilidade em alta, o trio lembra que muitos clientes procuravam a empresa com o intuito de construir ou reformar segundo o padrão convencional.
– No início, tínhamos que fazer todo um trabalho de convencimento dos clientes, sugerindo técnicas simples como captação de água da chuva, saneamento ecológico, coberturas ajardinadas. Aos poucos, sentimos que já temos uma clientela que nos procura especificamente para construções mais sustentáveis, comenta a sócia Ana Ruivo.
Expansão orgânica
Por mais que a crise econômica tenha afetado a construção civil, ela não freou os planos dos arquitetos de expandir o negócio. A maior parte dos clientes procura a empresa para a construção de residências, mas os projetos de escolas, centros culturais e empreendimentos turísticos estão a todo vapor. Outro aspecto que comprova o sucesso da empresa é a quantidade de clientes fora de Santa Catarina. A Baixo Impacto Arquitetura já desenvolve seus projetos no Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e, mais recentemente, no Ceará.
Em relação aos custos, o trio de empreendedores esclarece que as construções sustentáveis costumam ser mais baratas que as convencionais. Mesmo que o valor de investimento não seja o grande atrativo de clientes no primeiro momento, acaba sendo quando a conta é feita no longo prazo. Ana Ruivo garante que a empresa busca o aproveitamento dos recursos energéticos naturais. No futuro, isso significa não só economia para a natureza, mas para o bolso.
O que é a economia verde?
O conceito de economia verde foi criado a partir de encontros internacionais como a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Eco 92, realizada no Rio de Janeiro. O termo significa, em linhas gerais, o alinhamento entre o meio ambiente e a economia. Ou seja, entende que o desenvolvimento dos países deve ser baseado na baixa emissão de carbono, na eficiência da utilização dos recursos e na inclusão social.

Green Rio 2017 movimenta R$ 10 milhões para economia verde

 

A Marina da Glória recebeu entre os dias 11 e 13 de maio a 6ª edição do Green Rio, evento de economia verde e do setor orgânico, reconhecido como plataforma para negócios sustentáveis. Os cerca de 70 expositores comprometidos com alimentação e produção sustentável e bioeconomia receberam mais de 3 mil visitantes. A feira somou um volume de R$ 10 milhões para o setor, volume 20% maior que o alcançado com as rodadas de negócios de 2016.
Neste ano, o tema central do evento foi a bioeconomia, que movimenta no mercado mundial 2 trilhões de euros e gera cerca de 22 milhões de empregos. O grande destaque ficou por conta das conferências com palestrantes internacionais e brasileiros que aconteceram ao longo do evento. No primeiro dia, o francês Jean Luc Anesel, presidente do maior cluster de cosméticos da União Europeia, Cosmetic Valley, apresentou ao público o conceito de Cosmetopeia, que tem o objetivo de criar um registro completo de todas as plantas e conhecimentos tradicionais utilizados para fins cosméticos.
No segundo dia, houve muita discussão sobre bioeconomia e os desafios para os produtores rurais e também foi apresentado um panorama do setor na América Latina e Caribe. Já o Sebrae mostrou as iniciativas de bioeconomia que estão apoiando em todo o país. Também entrou em pauta o empreendedorismo jovem. A organizadora do evento, Maria Beatriz Costa, aproveitou para lembrar que o Green Rio estava com um espaço dedicado para startup de bioeconomia, que entre outros produtos estava apresentando uma prancha de stand up paddle, produzida com garrafas pet.
Cerca de 200 pessoas lotaram a plateia no último dia de evento para prestigiar a apresentação de uma delegação vinda diretamente da Alemanha, que precedia um workshop para discutir potenciais parcerias entre os dois países no cenário da bioeconomia, com destaque para Florestas, Orgânicos, Biomassa e Bioenergia.
Muito simpáticos, os alemães começaram se desculpando pelos 7 a 1 que eliminou o Brasil da última Copa do Mundo e afirmaram que o Brasil vai retribuir no futuro. A delegação, liderada pelo diretor de bioeconomia e florestas do Ministério da Agricultura da Alemanha, Clemens Neumann, explicou que o conceito de bioeconomia para eles é transversal, vai além do setor econômico. Os projetos envolvem governo, consumidores, parceiros e setor privado. Para implementação da estratégia intitulada "Bioeconomia 2030", o governo federal alemão disponibilizou 2,4 bilhões de euros para a pesquisa. E o Brasil é visto como um parceiro importante para a cooperação internacional em educação e pesquisa.
Beatriz também fez referência ao placar do jogo na Copa do Mundo, mas para fazer uma analogia com a questão da bioeconomia nos dois países. "Em vez de retribuir o resultado, vamos jogar juntos esse jogo. Assim teremos um grande campeão", disse.
A última palestra foi dedicada à Alimentação Saudável. Entre os participantes estava o ator Marcos Palmeira, dono de uma fazenda que produz e vende alimentos orgânicos. Ele garantiu: "se as escolas onde estudam os filhos de produtores agrícolas comprassem os alimentos desses pais já seria um ganho enorme para todos", conta. O dinamarquês Bent Mikkelsen contou que na Dinamarca eles fazem uma ligação entre o hábito alimentar e o aprendizado. Deu o exemplo de um aplicativo que remete a um Pokemon Go, em que as crianças brincam de caçar alimentos saudáveis. "O importante é criar o hábito", explicou.
No primeiro dia, em parceria com a Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (ABBA), com a presença de compradores internacionais. No segundo dia, em parceria com Rio Alimentação Sustentável e caterings que participarão dos Jogos Olímpicos. E no terceiro dia, em parceria com o programa Sebrae no Pódio que capacitou pequenas e médias empresas para o fornecimento dos Jogos 2016.Segundo Maria Beatriz Martins Costa, coordenadora do Green Rio, as rodadas somarão um volume de R$ 8 milhões para o setor, volume 30% maior que o alcançado em 2015.
Sobre o Green Rio
O Green Rio teve sua primeira edição em 2012, quando foi um side-event da Rio+20. Ao longo desses cinco anos, o evento se firmou como plataforma de negócios sustentáveis que reúne expositores, palestrantes e representantes da economia verde e do setor orgânico. Em rodadas de negócios, o Green Rio já movimentou até hoje em suas quatro edições mais de R$ 8 milhões.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Tchizé dos Santos apela em Londres ao apoio à indústria criativa africana

 A deputada e empresária Welwitschia dos Santos foi uma das convidadas da 16.ª Cimeira da London Business School sobre África, realizada no sábado na capital inglesa.
Convidada a falar no painel “Maximizando a indústria criativa africana”, Tchizé dos Santos, como também é conhecida a empresária do ramo da comunicação e dos “media”, falou do potencial da indústria angolana e preconizou soluções que contribuam para a criação e o desenvolvimento de mercados criativos que criem riqueza e, com isso, ajudem a melhorar as condições de vida das populações.
“Em tão pouco tempo, Angola foi capaz de mostrar vários casos de sucesso que têm contagiado o mundo positivamente”, sublinhou Tchizé dos Santos, acrescentando: “mas é necessário fazermos mais, é necessário continuarmos a investir, é necessário aproveitarmos melhor o potencial dos nossos criativos”. A empresária apontou a ficção nacional como uma das áreas que alcançou “conquistas únicas” no mundo. “Temos top models a desfilar e a fazerem campanhas por renomadas marcas. A nossa música, as nossas danças fazem sucesso pelo mundo. Há muito ainda por explorar e por dar a conhecer, mas já vimos que é possível. Precisamos apenas de mais oportunidades, de profissionalizar e de apostar comercialmente em novos mercados”, disse a empresária.
Tchizé dos Santos disse que os africanos, e os angolanos em particular, são por natureza muito criativos e precisam apenas de mais oportunidades. “Não seremos melhores enquanto o mundo for um palco de oportunidades dominado em exclusivo por um grupo pequeno de países. Os africanos são povos muito talentosos e criativos, com uma cultura riquíssima de ritmos, sabores, contrastes e emoções que devem ser conhecidos e partilhados por todos. Precisamos apenas de mais oportunidades”, disse Welwitschia dos Santos.
A cimeira da London Business School é um dos mais renomados fóruns de abordagem e definição de perspectivas inovadoras e integradas para a recomendação de políticas para o futuro de África, juntando delegados e oradores de prestígio.

Lisboa se aventura nos mares da tecnologia e da indústria criativa

 

O vento a favor tem soprado com tanta força que a cidade já virou sede do maior encontro europeu de tecnologia, empreendedorismo e inovação

Criado em 2010, o WebSummit sempre ocorreu na Irlanda. No ano passado, o organizador visitou Portugal, gostou do que viu e decidiu que as três edições seguintes já seriam realizadas no país
 

Esqueça qualquer traço da melancolia e da saudade tradicionalmente atribuídas a Portugal. Lisboa, a capital do país, é alegre, criativa e se destaca como uma das principais cidades da Europa para quem quer empreender, inovar e viver numa autêntica aldeia global. Ligados fisicamente ao mundo por uma malha aérea que se estende para além do continente europeu e chega à África, à América do Norte e do Sul e até a algumas regiões da Ásia, os lisboetas replicam a ousadia dos grandes navegadores do passado e se arriscam com tudo nos mares digitais e da indústria criativa.
O vento a favor tem soprado com tanta força que a cidade já virou sede do maior encontro europeu de tecnologia, empreendedorismo e inovação e, este mês, a emissora de TV CNN voltou a elegê-la capital mais cool do continente – a primeira vez foi em 2014.
As razões elencadas pelo canal para conceder o título a Lisboa, e preterir concorrentes mais robustos como Londres, Paris, Madri e Berlim, estão a olhos nus para quem vive e visita a cidade: a gastronomia experimental, o design moderno, a arte, os castelos, as praias e, claro, a vida noturna. “Lisboa é uma cidade cosmopolita”, diz a restauradora alagoana Marta Tavares, que há 22 anos deixou o Recife para morar em Portugal. “Tem uma noite agitadíssima e aqui você encontra gente de todo o mundo, o italiano, o francês, o paquistanês, o indiano, o chinês, o japonês, uma grande diversidade cultural”, completa.

 

Noite agitada, mar com ondas gigantescas, diversidade cultural e boa infraestrutura tecnológica foram também os motivos que levaram o irlandês Paddy Cosgrave a transferir para Lisboa a sede do WebSummit, evento de três dias que reuniu em novembro cerca de 50 mil dos mais importantes profissionais de tecnologia e empreendedorismo do mundo.

WebSummit

Criado em 2010, o encontro sempre ocorreu na capital irlandesa, Dublin. No ano passado, o organizador visitou Portugal, gostou do que viu e decidiu que as três edições seguintes já seriam realizadas no país, a começar pela de 2016. Calcula-se que evento injetou € 200 milhões, cerca de R$ 666 milhões, na economia local. "O impacto poderá ser analisado dentro de cinco a 10 anos do ponto de vista de como ajuda as empresas portuguesas", disse Cosgrave no discurso de encerramento.

Além das características culturais da cidade, iniciativas institucionais, sejam estatais ou privadas, também tem alimentado a cena empreendedora em Portugal, principalmente depois que a crise econômica levou cerca de um milhão de desempregados a deixar o país, a maioria jovens recém-formados, e a abertura de novos negócios na área criativa foi uma das únicas opões oferecidas a quem não conseguiu arredar o pé.
Tem surgido, então, um ecossistema composto por investidores, incubadoras, espaços colaborativos e programas de aceleração. Espaços para abrigar as iniciativas não faltam, e criatividade para tocá-las também. A LX Factory é o exemplo mais explícito.
Desativada há anos, a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense teve sua sede de 23 mil m² transformada por uma emprea de investimento imobiliário em uma das principais áreas de empreendedorismo, lazer e entretenimento de Lisboa. O complexo de edifícios, construído na metade do século 19, nem chegou a ser reformado.
Mantém as características de um espaço fabril, inclusive com máquinas. Mas para onde se olha é possível ver um negócio, seja um restaurante no antigo armazém de ferramentas, uma agência de publicidade moderna no andar de escritórios ou uma livraria numa galpão gigante, com direito a café em meio à estrutura de um maquinário com mais de cinco metros de altura.
Os negócios da LX Factory são diversos e se retroalimentam. Os cafés e restaurantes são frequentados pelos visitantes, mas também pelos funcionários e empreendedores das outras empresas e muitas prestam serviço ou trabalham em parceria com os vizinhos. Nos fins de semana, o espaço se abre para os turistas e moradores da cidade, com feiras, exposições, espetáculos musicais e o que mais os operários do mundo criativos conseguirem imaginar e fazer.