segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Construções sustentáveis se tornam opção para consumidor consciente

 

A cada dia, o custo das obras sustentáveis cai com a adoção de novas tecnologias e de materiais mais em conta

A exemplo de outros setores da economia, a construção civil começa a mudar parâmetros para ofertar no mercado as chamadas construções sustentáveis ou verdes, cada vez mais procuradas por consumidores conscientes de que é preciso evitar o desperdício de recursos naturais que estão cada dia mais escassos e que, assim, representam uma ameaça às futuras gerações.

A energia eólica, considerada uma das mais limpas e produzida com força dos ventos, é uma das ferramentas usadas pelos empreendimentos verdes que se multiplicam pelo País 

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), no âmbito da Agenda 21 para a Construção Sustentável em Países em Desenvolvimento, a construção sustentável é definida como "um processo holístico que aspira a restauração e manutenção da harmonia entre os ambientes natural e construído, e a criação de assentamentos que afirmem a dignidade humana e encorajem a equidade econômica".

No contexto do desenvolvimento sustentável, o conceito transcende a sustentabilidade ambiental, para abraçar a sustentabilidade econômica e social, que enfatiza a adição de valor à qualidade de vida dos indivíduos e das comunidades.

Os desafios para o setor da construção são diversos, porém, em síntese, consistem na redução e otimização do consumo de materiais e energia, na redução dos resíduos gerados, na preservação do ambiente natural e na melhoria da qualidade do ambiente construído.

Para tanto, recomenda-se: alteração dos conceitos da arquitetura convencional na direção de projetos flexíveis com possibilidade de readequação para futuras mudanças de uso e atendimento de novas necessidades, reduzindo as demolições; busca de soluções que potencializem o uso racional de energia ou de energias renováveis; gestão ecológica da água; redução do uso de materiais com alto impacto ambiental, além da redução dos resíduos da construção com modulação de componentes para diminuir perdas e especificações que permitam a reutilização de materiais.

Liderança
São Paulo exerce a liderança no País nesse segmento. O Estado é o campeão em empreendimentos verdes, de acordo com levantamento do Conselho de Construção Sustentável do Brasil (GBC-Brasil), que representa oficialmente a certificação Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) - considerada o principal selo de construção sustentável do País.

Atualmente, o Estado paulista possui 80 edificações atestadas pelo selo Leed, além de outros 428 empreendimentos que já entraram com pedido de certificação. O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar no ranking dos Estados com mais construções sustentáveis - são 12 edificações certificadas e 137 pedidos -, seguido por Paraná, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Juntos, estes seis Estados foram os principais responsáveis pela nova marca atingida pelo Brasil, conforme levantamento de junho: 100 empreendimentos certificados pelo selo Leed. Entre eles estão bancos, hospitais, escolas, laboratórios de saúde, supermercados e prédios comerciais, o que atesta a diversidade de setores que, cada vez mais, valorizam a construção sustentável no País.

"Outra prova disso é que o centésimo empreendimento Leed no Brasil é um centro de manutenção de uma garagem de ônibus rodoviários. Trata-se de um fato inédito", ressalta Marcos Casado, diretor técnico do GBC-Brasil. O empreendimento fica no município de Santana do Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo.

Para Casado, um dos principais responsáveis pelo aumento da procura por certificação sustentável no Brasil - entre 2012 e 2013, o número de pedidos de certificação no País cresceu mais de 40% - foi a queda nos custos para "esverdear" as edificações. "Com o investimento de empresas em tecnologias e produtos verdes, conseguimos baixar consideravelmente os custos de investimentos em empreendimentos sustentáveis. Hoje, o custo varia entre 1% e 7% do valor da obra", explica o especialista.

Atualmente, o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking das nações com maior número de construções com certificação Leed, atrás de Estados Unidos, China e Emirados Árabes.

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